terça-feira, 23 de junho de 2015

ESSES OUTROS DOIS... - Otávio Martins Amaral


 

HEITOR VILLA-LOBOS   - ARY BARROSO


ESSES OUTROS DOIS, TAMBÉM...

FORAM GRANDES COMPOSITORES DA MÚSICA BRASILEIRA


Otávio Martins Amaral



Villa-Lobos, quem o conheceu, diz que era um cara temperamental. Sua vida foi pautada, pode-se dizer, por ímpetos. Nada melhor para um criador e revolucionário. E, também, artista. Depois de uma cirurgia, já recuperado, comentou com a sua mulher, agora, a Lucinda, que o médico havia dito que, dali pra frente, ele teria uma vida, praticamente, normal. Ele, então, ironizando comunicou a sua preocupação à companheira: “Esse praticamente e que me deixa preocupado”.

Contava o Tom Jobim, amigo dos dois, que num concurso, parece que de carnaval, o Villa-Lobos, que fazia parte do júri, havia votado a favor de um samba, desses passageiros, contra uma composição do Ary Barroso, “Aquarela do Brasil”. Disse que o Ary ficou muito chateado com a atitude do Villa, não queria nem mais falar com ele. Um dia o Villa falou pro Ary: Agora, passado o carnaval, esse sambinha que ganhou, também, passa. O seu, essa linda “Aquarela do Brasil” vai ficar para sempre e, mais, através da tua música o Brasil vai ficar conhecido lá fora. Não convenceu o Ary Barroso. Continuou chateado com o Villa-Lobos.

Um dia o Tom Jobim, contado por ele, foi na casa do Villa-Lobos; este morava no Morro de Santa Tereza. Ao perceber tanto barulho que vinha da rua, bondinho, vendedores, afiadores, não se conteve e perguntou ao mestre: “ Com essa zorra toda, como é que você ainda consegue compor?”; Heitor Villa-Lobos respondeu-lhe: “Eu componho com o ouvido de dentro”.

A formação musical e instrumental do maestro Villa-Lobos foi com o violoncelo, o qual pertence aos instrumentos de cordas, induzido pelo seu pai, que era um simples funcionário público. Foi lá por volta de 1915 que ele realizou o primeiro concerto com as suas composições. Depois, passou pela Argentina e virou mundo, indo, até, para a Europa. Lá na Europa, contava, sempre, com o apoio do pianista Arthur Rubinstein. Realizou três apresentações, durante a Semana de Arte Moderna de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo. Uma de suas músicas mais conhecidas, a qual faz parte do cancioneiro popular é o “Trenzinho Caipira”, muitos choros e a belíssima Bachiana nº 5, sendo imortalizada pela cantora lírica brasileira, Bidu Sayão.

Arrefecido os ânimos, Ary voltou às boas com o seu amigo e colega de profissão. Realmente, como previra Villa-Lobos, foi através da música, especialmente da “Aquarela do Brasil” – era o cavalo – de - batalha do Tom Jobim, pelos botecos de Nova Iorque - junto com a canção “Copacabana” (Copacabana princesinha do mar...) do João de Barro, o Braguinha, também autor da letra de uma das mais lindas músicas brasileiras, Carinhoso, cuja melodia fora criada por outro gênio, o Pixinguinha, compositor de vários choros.

Villa-Lobos, depois de seus estudos no Mosteiro de São Bento, costumava juntar-se aos chorões, para serenatas e apresentações, principalmente no Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo em que Ary Barroso, homem de rádio, continuava compondo lindas canções, as quais eram disputadas por grandes intérpretes da época. Sambas e, até mesmo, algumas composições genuinamente populares. Tudo saindo através de seu piano, instrumento que dominava e com o qual se apresentava em shows pelas boates da cidade, até mesmo em orquestras, despertando platéias especiais como os compositores Vinícius de Moraes e Baden Powell. Isso contado pelo próprio Baden que se notava sentir privilegiado em assistir um show com Ary Barroso e Tom Jobim. Afinal, Baden, além de grande violonista, era compositor e parceiro do grande poeta Vinícius de Moraes.

Villa-Lobos gostava da convivência com alguns compositores brasileiros e, ainda, grandes músicos, como eram Ernesto Nazareth, Catulo da Paixão Cearense, João Pernambuco e muitos outros famosos compositores daquela época. Ary Barroso era mineiro, nascido na cidade de Ubá. No início da década de 1920 passa a morar na cidade do Rio de Janeiro, capital da República. Toca em orquestras e, finalmente, encontra um parceiro para as suas composições, com o qual compõe “No Rancho Fundo”, Lamartine Babo. O ano de 1929 foi importante em sua trajetória como compositor e músico. Uma música sua, é gravada por Mário Reis e, ainda, acaba a faculdade de direito. “Vamos deixar de intimidade”, sucesso na voz do grande intérprete àquela época, Mário Reis. Pouco mais adiante, aí por 1923, Villa viaja para Paris, e faz algum sucesso, principalmente no meio artístico. Sempre contando com o apoio do pianista Arthur Rubinstein e da cantora lírica Vera Janacópulos. Rubinstein foi um dos maiores intérpretes de Chopin. Villa Já havia feito muitas viagens pelo norte e nordeste brasileiro. Agora, com toda a bagagem sonora adquirida com as suas viagens domésticas, partia para a carreira internacional. Enquanto isso, Ary Barroso firmava a sua parceria com Lamartine Babo, de onde saiu a bela “No Rancho Fundo”. Villa continuou suas viagens para a Europa e, em 1930, volta ao Brasil para realizar um concerto em São Paulo, acaba por apresentar seu plano de Educação e Música à Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.

Ary Barroso, além de muitas composições, algumas sozinho e outras com parceiros, aos quais mais fora assíduo, cria um programa de Rádio, onde atua, a partir de 1938, na Tupi, como locutor, comentarista esportivo, humorista e ator.

Enquanto isso, aí por 1940, Villa-Lobos reuniu Pixinguinha, Donga, João da Baiana, Cartola, além de outros, que sob a sua batuta realizaram algumas apresentações e acabaram gravando uma coletânea de discos, pela Columbia Records. Em 1944, Villa-Lobos viajou aos Estados Unidos para reger as orquestras de Boston e de Nova York. Ary Barroso parece que seguindo os passos do amigo, pela primeira vez, vai aos Estados Unidos, compondo para o filme “Brasil”, a música chamada “Rio de Janeiro”, sendo, inclusive, naquele ano, indicada ao Oscar. Em 1946 torna-se vereador, segundo mais votado do Rio de Janeiro, então Distrito Federal.

Por fim, Villa-Lobos, residindo, praticamente, os últimos três anos – de 1957 a 1959, volta ao Brasil, já abalado pela doença, interna-se para tratamento e vem a falecer no mês de novembro de 1959. Villa-Lobos deixou muitas composições, entre Choros, Estudos e as famosas Bachianas, que foram compostas entre 1934 e 1938, tendo como sua principal intérprete o soprano Bidu Sayão, cantora radicada lá pela Europa e, posteriormente, nos Estados Unidos. onde se destaca a Bachiana nº 5, escrita para soprano e violoncelo. Esta música foi gravada por muitos músicos em todo o mundo. Cantoras, orquestras e, também, solos de violoncelo.

Em 1955, no dia 7 de setembro, Heitor Villa-Lobos e Ary Barroso, se encontraram no Palácio do Catete para receber a Ordem do Mérito.

Ary foi, até, eleito para a diretoria do seu clube do coração, o Flamengo, em 1960, como vice-presidente do Departamento Cultural, continuando com todo o seu talento, compondo e, assim, contribuindo para a Música Popular Brasileira. Porém - sempre tem um porém - em 1961, adoece e sua vida precisa de alguns cuidados especiais. Tendo, até, que ir morar num lugar mais pacato, afastado da Capital do País. Faleceu em 1964, durante o carnaval. Mas, a música, junto ao seu piano, preenchia o melhor e maior tempo, deixando para os intérpretes nacionais, um repertório de Música Popular Brasileira, da melhor qualidade.

Perde-se a conta do número de gravações recebidas pela música, a qual Villa-Lobos, havia, lá atrás, cantado a pedra: “O Brasil ficará conhecido através da sua Aquarela do Brasil”. Como Ary era maior do que isso, ainda compôs, só ou em parceria com outros compositores, muitas músicas, todas da melhor qualidade, abordando temas tão diferentes, mas, mantendo a sua marca e qualidade, a de um grande compositor. Só para exemplificar a sua importância, talvez a maior intérprete brasileira, Elis Regina, imortalizou em sua voz, a própria Aquarela do Brasil (a qual gravou mais de uma vez) e Na Batucada da Vida. Duas obras primas do grande Ary Barroso. E o Villa-Lobos, além de um repertório imenso, com a sua Bachiana nº 5, mais a cantora brasileira Bidu Sayão, mostraram ao mundo inteiro todo o seu valor. Nos clássicos ou em suas batucadas. Do violoncelo ao pandeiro.



UM POUQUINHO DO ARY BARROSO E DO OUTRO, O VILLA. NO YOTUBE VOCÊ ENCONTRARÁ MUITO MAIS, é só conferir:






Aquarela do Brasil, Elis Regina, gravação no Fantástico.






Bidu Sayão, cantora lírica, soprano. Passou a viver na Europa e EEUU.

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